186 m² de pôsteres procuram um novo destino

Estenda os 172 pôsteres do XX Simpósio de Oncobiologia lado a lado e forma-se uma fila de 155 metros de comprimento, uma vez e meia o comprimento de um campo de futebol (105 metros). Usain Bolt, recordista mundial dos 100 metros, levaria cerca de 15 segundos para percorrê-la; caminhando, uma pessoa levaria uns dois minutos. Cada pôster mede 90 por 120 centímetros, e juntos cobrem cerca de 186 metros quadrados, mais que uma quadra de vôlei. Depois dos dois dias de apresentações, vem a pergunta que você pode estar se fazendo agora: o que fazer com tudo isso?

Material não entra na reciclagem comum

Lonas e banners impressos não entram na reciclagem comum: não são papel, plástico de coleta seletiva nem metal. Segundo o Centro de Formação de Professores da UFRB, na Bahia, o material pode levar até 400 anos para se decompor. O caminho mais usado é o reaproveitamento, e é aí que entra a costura: a lona vira bolsa, avental, ecobag, estojo. O seu trabalho científico pode fazer até mesmo parte de um jardim. O banner é utilizado no paisagismo como substituto da chamada manta de bidim, usada para impedir crescimento de vegetação.

Universidades que já fazem isso

  • IFS, em Aracaju: o projeto Recicla Banners funciona desde 2018, mantém desde 2019 uma caixa coletora aberta ao público e ensina corte e costura em oficinas. A primeira produziu 45 peças e formou 15 multiplicadores.
  • UFRB, na Bahia: recolhe banners de eventos acadêmicos em uma caixa coletora; uma associação parceira faz sacolas ecológicas, e parte do material vai para a horta, como isolante do solo.
  • UEMASUL, no Maranhão: o projeto Entre letras e lonas já produziu 423 estojos, 14 por banner, entregues a alunos de escolas municipais de Imperatriz.
  • UniCEUB, em Brasília: envia lonas a uma associação de costureiras, a Mãos que Criam, em parceria que existe desde 2013.

No Rio, não encontramos um projeto universitário com esse foco. A UFRJ tem o programa Recicla UFRJ, de coleta seletiva, descrito no relatório do Plano de Logística Sustentável de 2022, mas o documento não menciona banners nem resíduos de eventos. E a sua universidade? Conta pra gente.

No Rio, o destino pede um telefonema antes

Algumas organizações da cidade aceitam banner usado, segundo a lista da Recicloteca. As informações são de anos diferentes, então vale ligar antes de levar:

  • Onda Carioca (Centro e Recreio): recebe banner e lona vinílica e vende bolsas e guarda-sóis feitos com o material.
  • Projeto Alquimia (Flamengo): faz roupas, bolsas e mochilas de banner e recebe o material.
  • Tem Quem Queira (Centro): ONG que transforma lona em bolsas e acessórios.
  • Mulheres Arteiras do Badu (Niterói): cooperativa que faz sacolas de lona.

O pôster que viaja de congresso em congresso

A melhor destinação é não precisar de uma. Um pôster que serve em mais de um evento dura mais, mas isso depende de cada congresso. Muitos definem suas próprias medidas e modelos. A Unicamp, por exemplo, aceita pôsteres de até 90 cm de largura e de 80 a 120 cm de altura, e trata o modelo oferecido como sugestão. Nem sempre há essa flexibilidade.

No XX Simpósio, os apresentadores foram orientados a usar, se quisessem, um modelo neutro, sem a identidade do evento e no mesmo formato vertical de 90 por 120 cm, para reaproveitar o pôster em outros congressos e evitar reimpressões. Vale o recado para organizações de eventos: quanto mais aberto o modelo, menos lona vai parar no lixo.

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